Com requisitos de interoperabilidade já consolidados, o desafio agora é ir além: garantir fluidez, inteligência e valor ao prontuário eletrônico para transformar os cuidados em saúde.
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Equipe Tivita

Um paciente faz exames pelo plano de saúde, troca de médico, é atendido na rede pública e precisa repetir a história clínica do zero em cada consulta. Durante anos, essa foi a regra no Brasil: cada serviço guardava os próprios registros, e as informações não se encontravam.
Desde outubro de 2025, parte desse cenário mudou. Dados de atendimentos realizados por hospitais, clínicas e laboratórios ligados a planos de saúde passaram a ser integrados à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), a plataforma de interoperabilidade do SUS. O histórico pode ser consultado pelo paciente no aplicativo Meu SUS Digital.
O movimento mostra que trocar dados de saúde de forma padronizada deixou de ser uma meta distante e passou a ser o ponto de partida. A seguir, veja o que é interoperabilidade, quais padrões valem para clínicas e consultórios, os principais desafios e como amadurecer essa prática.
O que mudou com a RNDS em 2025
A RNDS não é nova. Ela foi implantada pela Portaria GM/MS nº 1.434, de 2020, como plataforma nacional de interoperabilidade em saúde. Em julho de 2025, um decreto formalizou a RNDS como a plataforma oficial de interoperabilidade do SUS, o que abriu caminho para a entrada de dados da saúde suplementar.
O cronograma anunciado pelo Ministério da Saúde teve duas etapas:
Agosto e setembro de 2025: a RNDS recebeu dados retroativos de atendimentos feitos pelos planos de 2020 a 2025.
A partir de outubro de 2025: os dados passaram a ser enviados de forma automática, à medida que os atendimentos acontecem.
Com isso, a previsão era de que o volume da rede saltasse de 2,8 bilhões para mais de 5,3 bilhões de registros.
A integração é de mão única. A saúde suplementar envia os dados à RNDS, mas o SUS não repassa às operadoras as informações de atendimentos feitos na rede pública. Profissionais e gestores do SUS acessam esses dados pelas plataformas SUS Digital Profissional e SUS Digital Gestor.
O que é interoperabilidade em saúde
Interoperabilidade é a capacidade de diferentes plataformas de saúde enviarem, receberem e interpretarem dados de forma segura e padronizada. Isso vale para prontuários de clínicas, hospitais, laboratórios, operadoras e redes públicas, que muitas vezes foram desenvolvidos por fornecedores diferentes.
Na saúde, isso importa por dois motivos. O primeiro é o volume de dados sensíveis envolvido. O segundo é que a continuidade do cuidado depende de o próximo profissional enxergar o que já foi feito.
A interoperabilidade costuma ser dividida em níveis:
Técnica: os dados conseguem trafegar de um lugar para outro.
Sintática: os dados seguem uma estrutura comum, que todos conseguem ler.
Semântica: os dados têm o mesmo significado em qualquer ponto da rede, graças a códigos e terminologias padronizados.
Quais padrões de interoperabilidade valem no Brasil
No Brasil, a troca de dados de saúde se apoia em dois pilares regulatórios: o Padrão TISS, na saúde suplementar, e a RNDS, no SUS. Para a maioria das clínicas e consultórios que atendem convênio, o TISS é a obrigação do dia a dia.
1. Padrão TISS (saúde suplementar)
O Padrão TISS, da ANS, é obrigatório nas trocas eletrônicas de dados de atenção à saúde entre operadoras e prestadores. Na prática, ele envolve:
Versão vigente: pela RN nº 501/2022, a troca deve ser eletrônica e feita na versão vigente do padrão.
Componentes do padrão: o TISS define regras de organização, conteúdo e estrutura das guias, comunicação, segurança e privacidade.
Terminologia TUSS: os procedimentos, materiais e medicamentos são registrados pela terminologia unificada do padrão, a TUSS.
Portal TISS: cada operadora deve manter um portal com as instruções de uso do padrão e um Coordenador TISS para dialogar com a rede credenciada.
Guias fora do padrão ou preenchidas com erro são uma das principais causas de glosa. Para entender esse fluxo na prática, veja como automatizar o faturamento de convênios e reduzir glosas.
2. RNDS (SUS)
Para enviar ou consultar dados diretamente na RNDS, a integração precisa seguir as regras definidas pelo Ministério da Saúde:
Padrão técnico: a modelagem dos dados segue o padrão internacional HL7 FHIR.
Modelos de informação oficiais: os dados são enviados em “pacotes” padronizados, como o Registro de Atendimento Clínico (RAC), o Resultado de Exame Laboratorial (REL), o Registro de Imunobiológico Administrado (RIA) e o Sumário de Alta (SA).
Identificação do paciente: o CPF é usado como identificador.
Credenciamento e segurança: o estabelecimento passa por credenciamento, usa certificado digital para autenticação e precisa garantir criptografia, controle de acesso e registro de quem consultou cada dado.
Proteção de dados: todo o tratamento segue a LGPD. Veja os três passos para adequar a clínica à LGPD.
3. Assinatura e validade jurídica
Quando um documento eletrônico precisa de validade jurídica plena, como prontuários e receitas, a assinatura digital com certificado ICP-Brasil é a referência, conforme a MP nº 2.200-2/2001. Entenda as diferenças no guia sobre assinatura digital para profissionais da saúde.
Quais são os desafios da interoperabilidade
Mesmo com padrões definidos, colocar os dados para circular de forma útil ainda esbarra em obstáculos:
Formatos proprietários: muitas ferramentas organizam os dados de um jeito próprio internamente, o que dificulta exportar e importar o histórico completo.
Qualidade do registro: campos incompletos, códigos errados e informações inconsistentes chegam à outra ponta com os mesmos problemas. Interoperabilidade técnica não garante dado útil.
Governança e consentimento: é preciso definir quem acessa cada informação, em que contexto e com qual registro.
Segurança: quanto mais pontos conectados, maior a superfície de ataque. Veja estratégias práticas de cibersegurança para clínicas.
Cultura e capacitação: equipes acostumadas a registros em papel ou planilhas precisam de treinamento para registrar de forma padronizada.
Como ir além do mínimo exigido
Cumprir os padrões é o ponto de partida. Clínicas e consultórios que querem tirar mais valor dos próprios dados podem avançar em cinco frentes:
Interoperabilidade semântica: usar terminologias e códigos padronizados para que o dado tenha o mesmo significado em qualquer contexto.
Integração com o ecossistema digital: conectar o prontuário à prescrição eletrônica, à teleconsulta, aos laudos externos e às imagens.
Apoio à decisão: cruzar dados clínicos, administrativos e financeiros para gerar alertas e identificar padrões.
Acesso do paciente: permitir que o paciente consulte o próprio histórico de forma segura.
Fluxos automatizados: reduzir digitação duplicada e sincronizar atualizações entre agenda, prontuário e faturamento.
Escolher bem o prontuário faz diferença nesse caminho. O guia sobre os tipos de prontuário eletrônico ajuda a comparar as opções.
O prontuário como centro da operação
A integração dos dados da saúde suplementar à RNDS mostra para onde o setor caminha: o registro feito em cada atendimento vai, cada vez mais, circular além da clínica. Isso torna a qualidade e a padronização do prontuário uma questão de gestão, não só de conformidade.
O prontuário eletrônico da Tivita reúne dados clínicos e operacionais no mesmo ambiente e se integra à prescrição digital e a relatórios de gestão. Já a Agente Digital Tais automatiza a rotina de convênios, das autorizações às guias.
Para ver como isso funciona na rotina da sua clínica, agende uma demonstração ou explore outros conteúdos de gestão do Portal da Tivita.

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