Exames de imagem sobem 10% ao ano no mundo, a formação de radiologistas avança só 5%. Veja como a triagem evita que esse descompasso vire fila parada na recepção.
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Equipe Tivita

A fila de exames cresce mais rápido do que a fila de médicos capazes de interpretá-los. Giancarlo Domingues, head médico de inovação em diagnóstico por imagem e patologia da DASA, batizou esse descompasso de "boca de jacaré" durante o Saúde Unlocked, evento sobre inteligência artificial na saúde promovido pela Tivita:
"A gente já tem uma falta de radiologistas hoje, globalmente, não é só no Brasil. A estatística é que, num contexto onde já faltam radiologistas, os exames radiológicos sobem a um ritmo de 10% ao ano e a formação de radiologistas sobe 5% ao ano. Temos uma boca de jacaré aqui que só faz abrir."
Quando a demanda por exames sobe no dobro do ritmo da formação de quem os interpreta, o gargalo não fica só na análise do laudo. Ele chega antes, na ocupação da agenda por especialidade, e na forma como a recepção decide quem entra primeiro na fila.
Um descompasso que não é só da radiologia
O crescimento contínuo na demanda por exames é apontado pelo próprio Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) como um dos principais desafios estruturais da especialidade no país, ao lado da capacitação técnica e da valorização profissional, segundo o Atlas da Radiologia no Brasil 2025. O mesmo padrão aparece na formação médica de forma mais ampla: em 2024, cerca de 41% dos médicos brasileiros atuavam como generalistas, sem completar uma especialização via residência, um cenário que evidencia a limitação da oferta de vagas frente ao volume de formandos, de acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB).
Domingues comentou esse mesmo gargalo ao falar da falta de vagas de residência médica:
"Hoje, cerca de 30% dos médicos terminam a faculdade sem estar prontos para trabalhar, porque o nível de conhecimento cresce cada vez mais e eles não conseguem vaga de residência. Se eu for capaz de entregar uma análise consolidada que ajude esses médicos a evoluir, não estou ajudando só eles, estou ajudando a população inteira."
O que esse gargalo muda na recepção da clínica
Quando o exame sobe mais rápido do que a capacidade de interpretá-lo, três pontos de falha aparecem na rotina da clínica:
Fila indiferenciada na recepção: sem critério de prioridade, o exame urgente espera na mesma fila do exame de rotina, e quem decide a ordem é o horário de chegada, não a gravidade do caso.
Agenda sem visibilidade de gargalo: sem dados sobre onde a demanda está concentrada por especialidade, a clínica só percebe o atraso quando o paciente já está insatisfeito ou o laudo já está represado.
Resultado fragmentado que sobrecarrega o médico: com menos especialistas disponíveis para revisar mais exames, cada minuto que o médico gasta reunindo informações espalhadas é um minuto a menos de atendimento.
Domingues descreveu esse último ponto ao falar da fragmentação dos resultados de exames:
"Hoje, quando você faz um exame de sangue, uma tomografia, um exame genético, os resultados chegam separados, e o médico precisa concatenar tudo isso na cabeça dele para formular o diagnóstico. Daqui a dez anos, pode ser que a gente lembre disso como um modelo do passado."
Como a triagem evita fila parada
A saída não é aumentar a oferta de especialistas, algo que não depende da clínica e leva anos para mudar. É organizar a fila com critério antes que ela chegue à mesa do médico. Isso significa dar à recepção dados sobre a agenda por profissional e por especialidade, de forma que o exame de maior prioridade não fique atrás de um agendamento de rotina só porque chegou primeiro.
Na prática, isso passa por três frentes: priorizar exames por critério clínico e não por ordem de chegada, automatizar a confirmação e o lembrete para reduzir vagas ociosas na agenda de especialistas já escassos, e consolidar o histórico do paciente num só lugar para que o médico não gaste tempo de consulta reunindo resultados espalhados. A Agente Digital Júlia, especialista em conversão de agendamentos via WhatsApp, atua exatamente nesse ponto: ela organiza a fila de entrada antes que ela chegue à recepção, reduzindo a chance de um exame prioritário ficar parado atrás de um agendamento comum.
Reduza o impacto da escassez de especialistas na sua operação com estratégias práticas para reduzir faltas e cancelamentos, que liberam vagas de agenda já disputadas por conta própria.

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