Clínicas e profissionais precisam entender os impactos financeiros, tributários e operacionais. O contador Nathan Vasconcellos explica o que muda na prática e como se preparar.
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Júlia Putini

Uma recepcionista que ganha R$ 4.500 por mês vai receber, a partir de janeiro de 2026, o salário inteiro sem desconto de Imposto de Renda. A mudança vem da Lei nº 15.270/2025, sancionada no fim de novembro. Ela alcança boa parte da equipe de clínicas e consultórios, da recepção ao administrativo, e também mexe com contratação, custos e planejamento tributário dos sócios.
Para entender os impactos no setor, conversamos com Nathan Vasconcellos, contador e sócio-fundador da Easy Dr, plataforma de contabilidade parceira da Tivita. Para ele, a medida corrige uma distorção antiga: a faixa de isenção ficou defasada por anos, sem acompanhar a inflação nem os reajustes do salário mínimo.
O que muda com a Lei 15.270/2025
A lei foi sancionada em 26 de novembro de 2025 e passa a valer em 1º de janeiro de 2026. Os principais pontos, segundo análise publicada no Consultor Jurídico, são:
Isenção até R$ 5 mil por mês: quem recebe até esse valor deixa de pagar Imposto de Renda.
Redução parcial até R$ 7.350 por mês: quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 tem desconto no imposto, que diminui conforme a renda sobe.
Dividendos acima de R$ 50 mil: passa a haver retenção de 10% na fonte quando uma mesma empresa paga, em um mês, mais de R$ 50 mil em lucros e dividendos a uma pessoa física.
Tributação mínima de altas rendas: quem tem renda anual acima de R$ 600 mil passa a ter uma alíquota mínima de imposto.
Impacto imediato para os colaboradores
O efeito mais visível é no salário de quem está dentro do novo limite. “O impacto é bem maior para o colaborador da clínica. Todos que ganham até R$ 5 mil sentem a diferença diretamente no bolso”, afirma Vasconcellos.
Para a clínica, a folha de pagamento em si não muda: o salário bruto e os encargos continuam os mesmos. O que muda é o valor líquido que cada colaborador recebe, e isso pode pesar na percepção de valor do emprego.
Contratação: CLT ou prestação de serviço
A mudança também pode influenciar a forma de contratar, especialmente quem ganha acima do limite. “Para quem ganha R$ 5.500, por exemplo, aumenta a receptividade para modelos de prestação de serviço. A clínica desonera tributos e o profissional consegue negociar um valor até maior”, explica o contador.
Vale lembrar que, nessa faixa, o profissional contratado pela CLT também tem redução parcial do imposto, já que a lei prevê desconto até R$ 7.350. Por isso, a comparação entre os modelos precisa ser feita caso a caso, com o contador.
Para Vasconcellos, os efeitos aparecem em tempos diferentes: “Para o CLT o impacto é imediato, para o PJ é mais de médio e longo prazo. Mas há um nível maior de flexibilidade e qualidade de vida quando há alinhamento entre profissional e empresa”.
Organização e acompanhamento contábil
Mudanças tributárias são um bom momento para revisar processos. Vasconcellos recomenda organizar todos os documentos que comprovam receitas e despesas e intensificar o contato com a contabilidade: “Em momentos de mudança, é essencial conversar com mais frequência. Reunião mensal nos primeiros meses, depois bimestral ou trimestral”.
Ele também lembra que o investimento na própria qualificação pode trazer benefício fiscal para o profissional que declara pelo livro-caixa. “Se gasto com congresso, pós ou mentoria, isso reduz meu imposto. Quanto mais eu melhoro meu serviço, mais economizo”, diz. As despesas dedutíveis seguem regras da Receita Federal, então vale confirmar cada caso com o contador.
Na Tivita, a Inteligência Financeira reúne receitas, despesas e recebíveis da clínica em um só lugar, o que facilita a conferência com a contabilidade.
O que muda para os sócios da clínica
A lei que isenta os salários menores também passa a tributar os lucros distribuídos. Os sócios que recebem mais de R$ 50 mil por mês em dividendos de uma mesma clínica terão 10% retidos na fonte a partir de 2026. Para Vasconcellos, isso muda o planejamento do sócio, que precisa rever como e quando retira os lucros da empresa.
A lei prevê uma regra de transição: lucros apurados até 2025, com distribuição aprovada até 31 de dezembro de 2025, ficam fora da nova tributação, mesmo que sejam pagos nos anos seguintes. Para sócios de clínicas com lucro acumulado, essa é a decisão mais urgente a discutir com o contador antes da virada do ano.
Retenção de talentos
Ao aliviar parte da pressão financeira sobre os colaboradores, a medida pode aumentar a satisfação de equipes que lidam com alto volume de atendimentos. É um bom momento para a clínica revisar sua política de remuneração e benefícios como um todo. Veja como atrair e reter profissionais de alto nível na saúde.
Checklist para a clínica
Mapear quantos colaboradores ficam isentos e quantos entram na faixa de redução parcial.
Revisar com o contador os modelos de contratação dos profissionais que ganham acima de R$ 5 mil.
Avaliar, com o contador, a distribuição dos lucros apurados até 2025 antes de 31 de dezembro.
Organizar a documentação de receitas e despesas.
Aumentar a frequência das reuniões com a contabilidade nos primeiros meses de 2026.
Para Vasconcellos, o cenário ideal combina sustentabilidade financeira das clínicas com valorização dos profissionais. Isso exige atualização constante e decisões individualizadas, discussão que ganha força com a reforma tributária. Para organizar custos e preparar a clínica para 2026, explore os conteúdos de finanças do Portal da Tivita ou agende uma demonstração.

Escrito por
Júlia Putini
Especialista em conteúdo e marketing da Tivita.
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