Com a resolução do CFM em vigor, o cofundador da Tivita, Amilton Paglia, explica o que acontece com a gravação, quem assina o registro e limitações da IA.
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Júlia Putini

São 21h, o último paciente saiu há duas horas e o profissional ainda está reconstruindo de memória a evolução de oito atendimentos. A cena é comum. Um estudo publicado no Annals of Internal Medicine acompanhou médicos de quatro especialidades nos Estados Unidos. Eles passavam cerca de metade da jornada no prontuário eletrônico e em trabalho de mesa, e somavam de uma a duas horas extras de registro à noite. Ferramentas de inteligência artificial que transcrevem a consulta prometem devolver esse tempo. Antes de adotar qualquer uma delas, gestores e profissionais fazem a mesma pergunta: o que acontece com a conversa entre paciente e profissional depois que a IA escuta?
A resposta importa porque o prontuário guarda o dado mais protegido da operação de uma clínica. A Lei Geral de Proteção de Dados classifica informações de saúde como dados pessoais sensíveis, com regras mais rígidas de tratamento. Entender os tipos de prontuário eletrônico e como escolher o ideal passou a incluir uma nova camada: saber como cada solução trata a IA.
O que a nova resolução do CFM exige de quem usa IA
O Conselho Federal de Medicina publicou no início do ano uma resolução sobre os limites do uso de IA que já começou a vigorar. O texto estabelece quatro pontos que afetam diretamente o uso de IA no registro clínico:
Decisão final: diagnóstico, terapêutica e prognóstico continuam com o médico, que pode rejeitar recomendações da ferramenta.
Proteção de dados: o tratamento de dados precisa seguir a LGPD e as normas de segurança em saúde.
Direitos do paciente: o paciente tem direito de ser informado de forma clara quando a IA for usada e pode recusar esse uso.
Registro: o uso de IA como apoio à decisão médica deve constar no prontuário.
A resolução vale para médicos. Na prática, ela funciona como referência para outras profissões da saúde que já adotam ferramentas do tipo.
Amilton Paglia responde às principais dúvidas de segurança
O Agente Digital Tom, lançado pela Tivita, transforma a conversa da consulta em registro estruturado de prontuário. Amilton Paglia, cofundador da Tivita, explica as decisões de produto por trás da segurança.
A IA pode escrever sozinha no prontuário?
Não. "O profissional continua sendo o autor. O Tom escreve uma proposta de registro, e nada entra no prontuário sem que ele revise, edite e valide. A responsabilidade clínica não muda de lugar", afirma Amilton.
O que acontece com a gravação da consulta?
"As gravações são eliminadas imediatamente após a transcrição", explica. Depois disso, o que permanece é o texto que o profissional revisou e aprovou, dentro do prontuário.
O Tom pode sugerir diagnóstico ou prescrição?
Esse limite foi definido antes do lançamento. "Ele não diagnostica, não prescreve e não toma decisão clínica. Ele transforma uma conversa em registro estruturado, e o profissional revisa e assina. Essa fronteira foi uma escolha de produto, e vamos mantê-la", explica Amilton.
Por que confiar a consulta a uma plataforma?
Segundo Amilton, a confiança veio antes da IA. "Mais de 3 milhões de prontuários já passaram pela Tivita, somando os migrados de outras plataformas e os criados aqui dentro. O Tom entra numa rotina que já existe." Ele acrescenta que o profissional escolhe modelos predefinidos, ajustados à especialidade e ao seu jeito de registrar. Assim, ele não precisa reescrever um texto genérico.
Como grandes grupos de saúde avaliam esse tipo de ferramenta?
O processo leva mais tempo. "Nos grandes grupos, o ciclo passa por piloto, validação de governança de dados e definição de padrão de registro entre equipes. É assim que esse tipo de organização adota qualquer tecnologia que toca dado de paciente."
Deixar de usar IA é a opção mais segura?
Para Amilton, o risco também está em não mudar. "Registro clínico feito às pressas, no fim do dia, de memória, é um problema real de qualidade assistencial. Deixar isso nas mãos do cansaço do profissional também é risco."
O que checar antes de adotar IA no prontuário
Estes são os cinco critérios que separam uma ferramenta segura de uma exposição desnecessária:
Validação humana obrigatória. Confirme que nenhum texto entra no prontuário sem revisão e aprovação do profissional.
Destino do áudio. Pergunte ao fornecedor quanto tempo a gravação fica armazenada, onde fica e quem tem acesso a ela.
Escopo declarado. Prefira ferramentas que deixam por escrito o que a IA não faz, como diagnóstico e prescrição.
Informação ao paciente. Defina como a clínica vai avisar o paciente sobre o uso de IA e como registra uma eventual recusa, como pede a resolução do CFM.
Conformidade com a LGPD. Revise contratos, bases legais e controles de acesso. Este guia com três passos para evitar multas da LGPD ajuda a organizar a revisão.
Onde o Agente Digital Tom entra na operação
O Tom funciona dentro da plataforma Tivita, que já reúne agenda, prontuário, faturamento e pagamento. Ele atua ao lado do Agente Digital Júlia, que cuida da conversão de agendamentos, e do Agente Digital Tais, que automatiza a autorização de convênios. Profissionais podem testar o Tom por 30 dias gratuitos, e a clínica mede o ganho pelo número de prontuários fechados no mesmo dia.
Proteger o prontuário também passa pela infraestrutura da clínica como um todo. Revise acessos, senhas e rotinas de backup com estas estratégias práticas de cibersegurança para clínicas.

Escrito por
Júlia Putini
Especialista em conteúdo e marketing da Tivita.
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