A retrospectiva das inovações que transformaram a gestão em saúde revela uma virada histórica: de assistentes passivos para agentes autônomos capazes de tomar decisões
Tempo de leitura · 1 min
Escrito por ·
Júlia Putini

Em 2024, a pergunta mais comum entre gestores de saúde era se valia a pena testar o ChatGPT na rotina. Em 2025, a pergunta mudou: quais tarefas da clínica uma inteligência artificial já consegue executar sozinha? A mudança resume o ano. A IA deixou de ser só uma ferramenta de consulta e começou a assumir etapas inteiras da operação, ao mesmo tempo em que o país avançou na regulação e na troca de dados de saúde.
Onde o Brasil estava no começo do ano
O ponto de partida ainda era tímido. Segundo a pesquisa TIC Saúde 2024, do Cetic.br, apenas 4% dos estabelecimentos de saúde do país tinham adotado inteligência artificial. Entre eles, 67% usavam a tecnologia para automatizar fluxos de trabalho.
O uso individual já era maior: 17% dos médicos e 16% dos enfermeiros usavam ferramentas de IA generativa no trabalho. Ou seja, os profissionais começaram a usar a tecnologia antes das instituições.
Da IA generativa aos agentes digitais
A grande virada de 2025 foi a chegada dos agentes digitais. Assistentes conversacionais respondem a perguntas e dependem de comandos detalhados. Agentes são desenhados para executar tarefas do começo ao fim, dentro de limites definidos: entendem o contexto, tomam decisões dentro de regras estabelecidas e agem para cumprir um objetivo.
Na gestão de clínicas, isso se traduziu em duas frentes:
Atendimento ao paciente: a Agente Digital Júlia, lançada pela Tivita em 2025, atende no WhatsApp da clínica. Ela tira dúvidas, cadastra pacientes e marca consultas sem intervenção da equipe.
Convênios: a Agente Digital Tais assume autorizações, preenchimento de guias e geração do arquivo XML enviado às operadoras. No Núcleo Alcance, clínica multidisciplinar de São Paulo, ela se mostrou 75 vezes mais rápida que o processo manual e automatizou mais de 2.500 tarefas em cinco semanas.
Regulação: o Marco Legal da IA avança
O Projeto de Lei nº 2.338/2023, que cria o Marco Regulatório da Inteligência Artificial, foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e chegou à Câmara em 2025. Lá, uma comissão especial foi instalada em maio para analisar o texto.
Para a saúde, o ponto central é a classificação de risco. No texto aprovado pelo Senado, são de alto risco as aplicações que auxiliam diagnósticos e procedimentos médicos quando houver risco relevante à integridade física e mental das pessoas. Esses sistemas terão de passar por avaliação de impacto, garantir explicação das decisões e supervisão humana.
Na prática, nem toda IA usada na saúde entra nessa categoria. Ferramentas administrativas, como agendamento e faturamento, têm outro perfil de risco. Ainda assim, devem seguir a LGPD no tratamento de dados de pacientes.
Interoperabilidade: a RNDS ganha escala
Em julho de 2025, um decreto formalizou a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) como a plataforma oficial de interoperabilidade do SUS. A partir de outubro, dados de atendimentos feitos pelos planos de saúde passaram a ser integrados à rede, com acesso pelo aplicativo Meu SUS Digital.
Isso amplia a base de dados de saúde disponível no país, pública e privada, em formato padronizado. É a infraestrutura de que a IA precisa para gerar análises mais completas, desde que o uso respeite as regras de privacidade. Veja o que a interoperabilidade exige das clínicas na escolha do prontuário.
O que 2025 indica para 2026
Três tendências devem marcar o próximo ano:
Agentes em mais etapas da operação: a automação deve avançar do atendimento e do faturamento para outras tarefas repetitivas, como cobrança e conciliação.
Regulação mais concreta: a votação do Marco Legal da IA na Câmara deve definir as regras para sistemas de alto risco na saúde.
Dados como diferencial: com mais dados padronizados circulando, ganha vantagem a clínica que registra bem cada atendimento.
Para quem ainda não começou, o caminho mais seguro é escolher uma tarefa que consome muitas horas da equipe e testar a automação nela, medindo o resultado. Veja como calcular o retorno da inteligência artificial na saúde e como ampliar margens sem elevar custos. Se quiser ver os agentes digitais funcionando na rotina da sua clínica, agende uma demonstração.

Escrito por
Júlia Putini
Especialista em conteúdo e marketing da Tivita.
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